Quarta-feira, Março 20, 2019
Opinião

Depois o arroz tem formigas…

Porto, 16/06/2017 - Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, entregou chaves de fracções no Morro da Sé, numa cerimónia com a presença de Rui Moreira, presidente da câmara municipal do Porto (Adelino Meireles/Global Imagens)
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Por: José Carmo (Economista)

Se a política portuguesa ainda não bateu no fundo, não pode andar longe. 

Entre ministros que mentem deliberadamente no Parlamento e, mais grave, aos eleitores (veja-se o exemplo de Tancos) e a suspeita de que o Presidente da República estaria a par dessas informações, só faltava mesmo o PSD, num gesto de solidariedade, arrepiar caminho e inventar umas “questiúnculas” para ser manchete de notícia.

O lugar de secretário-geral do PSD parece enguiçado. Depois de um secretário-geral que quase não o chegou a ser (por “aldrabar” o curriculum), chegou outro que quis que acreditássemos que tinha o dom da omnipresença. Desfeito o mistério, resolveu voltar a tentar ludibriar-nos, primeiro esquivando-se às questões (qual enguia calejada), depois afirmando surpresa pelo uso indevido da sua password e, finalmente, deixando que quem lhe fez o “frete” assumisse a culpa sozinha. 

Suspeito que viremos a descobrir que tudo não passou de um puro ato de altruísmo, feito por uma Sr.ª Deputada de Viana do Castelo, sem que o dito suspeitasse sequer de nada… (ficará, porventura, por explicar como é que lhe terá “surripiado” a password…)

Mas, por incrível que pareça, o mais grave é Rui Rio! O homem, que se quer  afirmar como o último reduto da seriedade em política, entrou esta semana em modo “relógio de sol”. Se a questão for “boa” responde, se confrontado com um facto provado que afecta um alto dirigente do seu partido, o putativo candidato a primeiro ministro de Portugal, invoca minudências (questiúnculas, para ser mais exato) e vocifera em… alemão!

Não sou do PSD. Feita a declaração de interesses, preocupa-me porém que, entre ministros mentirosos e uma oposição aldrabona, se crie o espaço para o surgimento dos “gritos de revolta” que tanto abominamos.

Preocupa-me ainda que a classe política teime em não entender que os “Bolsonaros”, os “Trumps” e as “Le Pens” não são a causa do problema mas a consequência de políticas de caserna e de um consentimento surdo-mudo concertado entre poder e oposição. 

É óbvio que o atual secretário-geral do PSD tem de se demitir, sob pena de condicionar toda a ação política de Rui Rio e contaminar toda e qualquer credibilidade de uma alternativa de direita moderada. 

Pode Rui Rio continuar a fazer prosas em alemão e a tentar fugir de uma resposta concreta ao problema? Poder pode. Depois não se venha é queixar que o arroz tem formigas!

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