Quarta-feira, Março 20, 2019
Entrevistas

“Estarei sempre com as pessoas da minha freguesia e tudo farei dentro das nossas atribuições para melhorar a sua qualidade de vida.”

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Após quatro anos de pausa, Carlos Leão Barbosa, voltou abraçar de novo o projeto da Junta de Freguesia de Penafiel. Voltou a sentar-se na cadeira que ocupou durante 12 anos.
É um Presidente de Junta muito próxima dos seus fregueses e confessa não possuir grandes qualidades políticas, pois o que tiver a dizer diz, sem rodeios. A imagem de marca do presidente que não liga a rótulos, que olha pra todos de igual forma, é o cumprimento, é o afeto e o carinho.

1.Como encontrou a Freguesia de Penafiel quando tomou posse para o quadriénio 2017-2021?

Considerando que havia presidido 12 anos à anterior Junta de Freguesia de Penafiel e a forma como a havia deixado quer administrativamente, quer financeiramente, admito que tive um choque. Administrativamente deparamo-nos com funcionários desmotivados. Financeiramente já adivinhávamos desorganização mas não tanta. Em termos de gestão orçamental, o executivo anterior gastou o orçamento de um ano e meio, em 10 meses, ultrapassou todos os limites para o que estava mandatado pela assembleia de freguesia para gastar.

Durante os primeiros meses as faturas de despesas do anterior executivo iam chegando à junta, sem que conseguíssemos saber o final das mesmas. Perante este cenário pedimos pareceres à CCDRN, Tribunal de Contas e Anafre. A CCDNR e Anafre foram taxativas aconselhando-nos a devolver as faturas aos fornecedores, evocando a inexistência de atos de formação de contrato, bem como dos registos contabilísticos inerente àquelas faturas e a violação das normas referidas. Ao demais fomos informados que se não o fizéssemos e assumíssemos esses pagamentos incorríamos em responsabilidade civil, criminal, disciplinar e financeira. Por isso, os ditos credores foram de recorrendo aos tribunais, possuindo esta junta de Freguesia já alguns processos em Tribunal devido à irresponsabilidade do anterior executivo, provocando um aumento desnecessário de despesa.

2.Que mudanças implementou?

Várias. Acima de tudo um maior rigor e responsabilidade nas contas da Junta e, a outro nível, uma maior proximidade com as pessoas o que, aliás, sempre foi meu apanágio. Desde logo demos maior dignidade ao valor salarial a receber pelos nossos funcionários com contratos e procedimentos que lhes permitam ter direitos laborais. Passamos a ser mais rigorosos no que se refere à despesa procurando sempre obter melhores orçamentos sem diminuir a qualidade. Todo o fornecedor da junta recebe impreterivelmente até dia 8 do mês seguinte. Com esta atitude responsável os preços apresentados pelos fornecedores a esta Junta são bastante competitivos o que nos permite gerar poupança. Diminuímos o recurso a empresas exteriores ou ao outsourcing, nomeadamente nos serviços de limpeza, que além de não executarem os serviços com a perfeição que pretendíamos traduzia custos incomportáveis para a Junta de Freguesia. Procuramos estar mais próximos das populações. O presidente da Junta de freguesia está todos os dias no Edifício da Junta para ouvir e auxiliar os seus concidadãos. 

 

3.É de enorme responsabilidade gerir um território com cerca de 15 mil eleitores?

De facto é. Note-se que em termos populacionais a Junta de Freguesia de Penafiel tem mais habitantes do que muitas câmaras municipais. Apesar disso, os meios financeiros e humanos de que dispõe estão ao nível dos de uma freguesia de média dimensão.

4.Que balanço faz deste primeiro ano de mandato?

O balanço é, apesar das dificuldades já referidas, muito positivo. Conseguimos organizar e equilibrar as finanças da junta. Não há despesa feita por esta junta no corrente ano civil que não se encontre paga. Todos os meses amortizamos dívida deixada pelo anterior executivo. Gizamos, aliás, um plano que prevê o pagamento integral desta dívida no decurso do nosso mandato. Ao nível dos procedimentos legais em termos de efetivação de despesas seguimos todos os trâmites legais; neste aspeto somos absolutamente transparentes. Conseguimos mobilizar toda a nossa equipa de colaboradores/funcionários em torno de um objetivo comum, qual seja o de ajudar a tornar Penafiel num sítio melhor para viver. Tudo o que acabei de referir, embora importante, reconheço que não terá, junto do cidadão comum, um impacto assim tão grande. No entanto, era imprescindível que se fizesse. De um ponto de vista, digamos, mais externo, cumprimos as nossas obrigações no que se refere à limpeza da freguesia e à execução de pequenas obras mais urgentes. Investimos muito no apoio às crianças e à terceira idade. Apoiamos instituições, desde clubes desportivos a associações. Organizamos uma série de eventos que mobilizaram franjas importantes da nossa população. Em suma, penso que neste ano que passou, conseguimos criar as condições para proporcionarmos aos nossos fregueses um resto de mandato ainda mais profícuo e positivo a todos os níveis.

5.Neste primeiro ano, conseguiu dar respostas às competências estabelecidas inicialmente?

Sim, embora com as dificuldades inerentes à situação que referi anteriormente. Fica-me, no entanto, a certeza de que poderíamos ter ido ainda mais além se o anterior executivo da junta tivesse tido uma ação mais consentânea com as boas práticas que deveriam vigorar num órgão de poder local como é uma junta de freguesia.

6.Os projetos que tinha delineado para a freguesia neste primeiro ano, estão a ser cumpridos?

Neste primeiro ano apostamos em três setores, nomeadamente, saneamento, conservação e limpeza de valetas, bermas e caminhos, educação e ação social. Todavia não prescindimos de efetuar aquelas “pequenas” obras mas que são grandes e importantes para os nossos concidadãos. 

7.Marecos, Milhundos, Penafiel, Novelas, Santa Marta e Santiago, qual foi a localidade que mais trabalho lhe deu?

Não pensamos nesses termos. Para nós, Marecos, Milhundos, Penafiel, Novelas, Santa Marta e Santiago são partes de um todo que é a freguesia de Penafiel.

8.Para estas freguesias considera que a união foi favorável? Esteve sempre de acordo com a agregação das juntas de freguesia?

A agregação de freguesias tendo sido uma das imposições de Troika no nosso país, tem as suas virtualidades e desvirtualidades. Se por um lado pode potenciar e racionalizar as infraestruturas existentes na freguesia por outro lado a proximidade às pessoas existente com pequenas juntas ressente-se devido ao aumento territorial da freguesia.Tenho procurado combater estas dificuldades em oportunidades, procurando uma maior organização e nunca deixando de percorrer toda a freguesia, além de que possuo em todos os locais pessoas ligadas há minha equipa que são os ouvidos e os olhos de quem lá vive e que nos alertam para situações que devido à extensão da freguesia poderíamos não conhecer. Segundo os jornais o Ministério da Administração Interna vai apresentar uma proposta de lei-quadro que pode redesenhar o mapa de freguesias aguardaremos para ver se é verdade. Acatarei sempre a vontade da população seja ela qual for.

 

 

9.Neste início de ano letivo, interveio na gestão das refeições escolares. O que modificou?

Sim, houve grandes alterações. Até setembro do corrente ano já éramos responsáveis pelas cantinas da Escola e Jardim da Boavista (Santiago), pela Escola de Covilhô e Jardim de Infância da Ponte (Novelas) e Jardim de Infância da Igreja (Marecos). A partir de Setembro assumimos a confeção dos almoços também do Centro Escolar de Penafiel, da Escola e Jardim de Milhundos e da Escola e Jardim do Souto (Santa Marta).Esta resposta foi um grande impulso e de grande responsabilidade para esta Junta, pois no Centro Escolar são confecionados diariamente 500 refeições. Fizemos um grande esforço para que tudo corresse bem desde o primeiro dia de aulas.

No início não foi muito fácil, foi necessário adquirir uma grande quantidade de equipamentos hoteleiros que estavam em falta nas cantinas, que nos fez aumentar consideravelmente as nossas despesas, o que não estava previsto. E enquanto não foram colocados os recursos humanos pela Câmara, tivemos a ajuda das nossas colaboradoras da Junta de Freguesia, assim como a colaboração das professoras e coordenadoras, bem como de alguns funcionários das escolas que, com a colaboração de todos, penso que houve um resultado muito positivo. 

Assumimos esta responsabilidade para que os nossos alunos tenham uma alimentação equilibrada, saudável e saborosa. Confecionamos sempre com produtos frescos e de boa qualidade. O feedback que temos é que os alunos estão a gostar da refeição o que nos deixa extremamente satisfeitos e motivados.

Alargamos o horário de atendimento no edifício da Junta de Freguesia, à quinta-feira para as 19h30m, com vista a possibilitar aos pais a aquisição das senhas para o almoço dos seus filhos ou mesmo para tratar de assuntos do seu interesse.

10.Sente que tem conseguido dinamizar a freguesia?

Sinto que sim. Sinto que as pessoas têm gostado do nosso trabalho não deixando de ser exigentes. E eu gosto que sejam exigentes pois também o sou. Estarei sempre com as pessoas da minha freguesia e tudo farei dentro das nossas atribuições para melhorar a sua qualidade de vida.

11.No momento atual, quais são as maiores necessidades da freguesia?

A Freguesia de Penafiel precisa urgentemente de saneamento básico em vários locais. Não concebo que a maior freguesia do concelho tenha deficiências graves ao nível de saneamento básico e outras de menor dimensão possuam saneamento à porta de casa que as pessoas se recusam a ligar. Temos transmitido à Penafiel Verde, EM esta nossa preocupação que não deixaremos de lutar. Estamos seriamente confiantes que no ano de 2019 e seguintes, a Penafiel Verde vai tratar a freguesia de Penafiel como ela merece. De igual modo a recolha do lixo necessita de ser mais eficaz.

12.Neste primeiro ano, que obras realizou?

Lamentavelmente a nossa maior “obra” tem sido o amortizar da dívida já referida. No entanto, temos feito várias pequenas obras pela freguesia principalmente de reparação de ruas e passeios.

 

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